Ativos e Evidências

CBD em Brasília: guia completo sobre canabidiol, regras da Anvisa e o que dizem os estudos

O que é, o que os estudos mostram, quais são os riscos e o que as regras da Anvisa permitem em 2026.

Revisado pelas Farmacêuticas MaxPharma

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Bancada de mármore de laboratório farmacêutico com vidraria em luz natural

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Em resumo

O canabidiol (CBD) é um fitocanabinoide da Cannabis sativa que não tem os efeitos psicoativos do THC. A evidência clínica mais sólida é em epilepsias raras (Dravet, Lennox-Gastaut e esclerose tuberosa), com ensaios randomizados que mostraram redução das crises, e há estudos iniciais promissores em ansiedade e sono. É preciso atenção a efeitos como sonolência, diarreia e alteração de enzimas do fígado e às interações com outros medicamentos. No Brasil, o uso medicinal exige prescrição e segue a RDC 1.015/2026 da Anvisa; a manipulação de CBD isolado em farmácias foi prevista, mas depende de norma específica ainda pendente nas fontes consultadas.

Quando a pergunta é sobre a saúde de alguém da família, o que se procura não é tendência, e sim segurança, qualidade e respaldo científico. Este guia reúne o que a literatura e as regras da Anvisa dizem hoje sobre o canabidiol (CBD) e a cannabis medicinal, com os números dos estudos e as limitações de cada um, para quem busca informação confiável em Brasília e no restante do Brasil. A situação regulatória foi conferida em 5 de outubro de 2026 e muda com frequência.

O que é o CBD e em que ele difere do THC

O canabidiol (CBD) é um dos fitocanabinoides da planta Cannabis sativa L. e, junto com o tetraidrocanabinol (THC), um dos mais abundantes. O THC é o principal componente psicoativo da cannabis e age como agonista parcial dos receptores canabinoides CB1 e CB2. O CBD não tem os efeitos psicoativos do THC e tem uma farmacologia mais ampla, que não depende da ação direta sobre esses receptores.

Característica CBD THC
Efeito psicoativo Não tem os efeitos psicoativos do THC (Pisanti, 2017) Principal componente psicoativo da cannabis (Pertwee, 2008)
Receptores CB1 e CB2 Antagonista de agonistas desses receptores em células e tecidos testados (Pertwee, 2008) Agonista parcial dos dois receptores (Pertwee, 2008)
Outros alvos Canais iônicos, transportadores de neurotransmissores e outros receptores (Lattanzi, 2018) Também interage com alvos além do CB1 e do CB2 (Pertwee, 2008)
Regra no Brasil Há produtos autorizados com predominância de CBD THC acima de 0,2% é restrito a grupos de pacientes definidos pela norma

O sistema endocanabinoide e como o CBD age

O sistema endocanabinoide é um sistema de sinalização espalhado pelo organismo, com papel no desenvolvimento do sistema nervoso, na plasticidade das sinapses e na resposta a agressões. Ele reúne os receptores canabinoides (o CB1 é o mais abundante), os endocanabinoides produzidos pelo próprio corpo, como a anandamida e o 2-araquidonoilglicerol, e as enzimas que os produzem e degradam. Canais do tipo TRP e receptores PPAR também são acionados por alguns canabinoides.

O CBD age em vários alvos ao mesmo tempo. Revisões descrevem ações dependentes e independentes dos receptores canabinoides, com efeitos sobre a imunomodulação e a modulação neuronal e cardiovascular. Nas epilepsias, o efeito anticonvulsivante não está ligado à ação direta nesses receptores, e sim a canais iônicos, transportadores de neurotransmissores e outros receptores. Boa parte desses mecanismos vem de estudos de laboratório e em animais, e ainda falta confirmar quais deles explicam os efeitos observados em pessoas.

O que os estudos mostram, condição por condição

Esta é a parte em que mais se erra: dizer que o CBD “serve para tudo”. A evidência é muito desigual. Em um grupo de condições ela é sólida, e em várias outras é limitada ou preliminar.

Epilepsias raras: a evidência mais sólida

Os ensaios clínicos mais robustos do CBD são em epilepsias graves e resistentes a medicamentos. Eles testaram um medicamento específico, uma solução oral de CBD purificado, usada junto com os antiepilépticos que o paciente já toma:

Estudo Condição Participantes Resultado principal
Devinsky et al., 2017 (NEJM) Síndrome de Dravet 120 crianças e jovens adultos A mediana mensal de crises convulsivas caiu de 12,4 para 5,9 com CBD, contra 14,9 para 14,1 com placebo; 5% ficaram sem crises, contra 0%
Devinsky et al., 2018 (NEJM) Síndrome de Lennox-Gastaut 225 pacientes, de 2 a 55 anos Redução mediana das crises de queda de 41,9% e 37,2% (duas doses), contra 17,2% com placebo
Thiele et al., 2018 (Lancet) Síndrome de Lennox-Gastaut 171 pacientes, de 2 a 55 anos Redução mediana de 43,9% nas crises de queda, contra 21,8% com placebo
Thiele et al., 2021 (JAMA Neurology) Complexo da esclerose tuberosa 224 pacientes, de 1 a 65 anos Redução das crises de 48,6% e 47,5% (duas doses), contra 26,5% com placebo

Uma metanálise de 4 ensaios, com 550 pacientes com Lennox-Gastaut ou Dravet, confirmou a redução de crises (cerca de 19,5 a 19,9 pontos percentuais a mais do que o placebo) e mostrou mais eventos adversos: 87,9% com CBD contra 72,2% com placebo, e abandono do tratamento por eventos adversos em 8,9% contra 1,8%.

Esses resultados valem para essas síndromes específicas e para o medicamento testado, em ensaios financiados ou conduzidos com a fabricante GW Pharmaceuticals. Eles não permitem concluir que qualquer produto com CBD funcione para qualquer tipo de epilepsia, nem para outras doenças.

Ansiedade e saúde mental

Uma revisão de 2015 concluiu que a evidência pré-clínica sustenta o CBD, em dose aguda, para vários transtornos de ansiedade, mas que os estudos em humanos se limitam à dose aguda, com poucos em populações clínicas. Um dos estudos mais citados é de pesquisadores da Universidade de São Paulo: em 24 pessoas com ansiedade social sem tratamento prévio, uma dose única de CBD reduziu a ansiedade, o prejuízo cognitivo e o desconforto em um teste de fala em público simulada, com resposta semelhante à de voluntários saudáveis.

Em uma metanálise de 2019 sobre canabinoides em transtornos mentais, com 83 estudos (40 ensaios randomizados, 3.067 participantes), a evidência foi considerada escassa para depressão, ansiedade, TDAH, síndrome de Tourette, estresse pós-traumático e psicose, e poucos ensaios avaliaram o CBD farmacêutico. Os autores consideraram a evidência insuficiente para orientar o uso dentro de um marco regulatório.

Dor crônica

Na revisão Cochrane de 2018, com 16 ensaios e 1.750 adultos com dor neuropática (a maior parte dos estudos testou THC e CBD combinados), o alívio de 50% ou mais da dor ocorreu em 21% com cannabis e 17% com placebo (evidência de baixa qualidade), e mais pessoas abandonaram o tratamento por eventos adversos (10% contra 5%). Os autores concluem que os benefícios potenciais podem ser superados pelos danos.

Na metanálise de 104 estudos e 9.958 participantes com dor crônica não oncológica, a diferença na intensidade da dor equivaleu a cerca de 3 mm em uma escala de 100 mm, e eventos adversos ocorreram em 81,2% contra 66,2% com placebo. Os autores consideram improvável que os canabinoides sejam medicamentos altamente eficazes para esse tipo de dor.

Sono

Uma revisão da literatura aponta que pesquisas preliminares sugerem potencial do CBD na insônia. O THC pode encurtar o tempo para dormir, mas pode prejudicar a qualidade do sono a longo prazo. O CBD pode ser promissor no transtorno comportamental do sono REM e na sonolência diurna excessiva. Os autores descrevem a pesquisa como incipiente, com resultados mistos.

Autismo e outras condições

Em uma revisão sistemática de 10 estudos sobre canabinoides no transtorno do espectro autista, os achados foram promissores para comportamentos-problema, problemas de sono e hiperatividade, mas os efeitos sobre os sintomas centrais do autismo são pouco conhecidos. Outras indicações frequentemente citadas, como espasticidade, fibromialgia, doenças neurodegenerativas e cuidados paliativos, não foram avaliadas nas revisões usadas neste guia, e a decisão sobre elas cabe ao médico.

E o THC medicinal?

O THC pode ser considerado pelo médico em contextos específicos, sempre com avaliação de risco e benefício. Na metanálise de 2019 sobre transtornos mentais, o THC farmacêutico, com ou sem CBD, melhorou levemente a ansiedade em pessoas com outras doenças (evidência de qualidade muito baixa), piorou sintomas negativos de psicose em um estudo e aumentou os eventos adversos (OR 1,99) e os abandonos por eventos adversos (OR 2,78). No Brasil, o uso de produtos com THC acima de 0,2% é restrito a grupos de pacientes definidos pela norma.

Como o CBD é absorvido

A absorção do CBD varia com a via e com a alimentação. Em uma revisão sistemática de 24 artigos, a meia-vida foi de 1,4 a 10,9 horas após spray oromucoso e de 2 a 5 dias após uso oral crônico. O pico de concentração aumentou com a alimentação e com formulações lipídicas, e o tempo até o pico ficou entre 0 e 4 horas. A biodisponibilidade absoluta em humanos só foi relatada para o fumo (31%), e os autores destacam a escassez e a discrepância dos dados. Por isso, a forma farmacêutica e o horário de uso em relação às refeições são decisões do prescritor.

Efeitos adversos, interações e precauções

Tema O que os estudos descrevem
Efeitos mais comuns Cansaço, diarreia e mudanças de apetite ou de peso (Iffland, 2017)
Metanálise de 12 ensaios, 803 pessoas Mais abandonos (OR 2,61), eventos graves (OR 2,30), perda de apetite (OR 3,56), diarreia (OR 2,61), sonolência (OR 2,23) e sedação (OR 4,21) com CBD do que com placebo (Chesney, 2020)
Fígado Eventos graves ligados a exames de fígado alterados (OR 11,19), concentrados na epilepsia infantil, com possível interação com clobazam e valproato; nos ensaios de epilepsia, 9% a 18,9% dos que receberam CBD tiveram aumento de transaminases (Devinsky, 2018; Thiele, 2021)
Fora da epilepsia infantil Só a diarreia se associou ao CBD (OR 5,03) (Chesney, 2020)
Interações Ação sobre as enzimas CYP3A4 e CYP2C19 e sobre a glicoproteína P; potencial de interação alto com medicamentos comuns (Brown, 2019)
Lacunas Efeitos hormonais ainda não estudados; faltam estudos longos e com mais participantes (Iffland, 2017)

Uma revisão de bulas de produtos com CBD estimou que quase metade dos usuários teve algum evento adverso, com relação dose-resposta. Por isso, quem usa medicamentos de uso contínuo deve falar com o prescritor e com o farmacêutico antes, e o acompanhamento médico, com exames quando indicados, faz parte do uso. Os dados sobre gestantes e lactantes não foram avaliados nas fontes consultadas, e por precaução o uso nessas situações só deve ocorrer por indicação médica.

Qualidade: o que pesa na escolha de um CBD

Em um estudo de 2017 com 84 produtos de CBD comprados na internet e analisados em laboratório, 26% continham menos CBD do que o informado no rótulo, o que poderia anular qualquer resposta clínica, e o THC foi detectado em 18 produtos. Para o CBD isolado que pode ser usado em farmácias, a norma exige o fitofármaco CBD com pureza mínima de 98% em base anidra, atendendo aos parâmetros de uma farmacopeia reconhecida pela Anvisa.

Na prática, qualidade não é marketing, é processo:

  1. Rastreabilidade: capacidade de identificar origem, lote, documentação e histórico sanitário;
  2. Padronização da concentração: clareza e precisão no teor de canabinoides, com laudo;
  3. Controle documental: registro técnico e cumprimento das normas aplicáveis;
  4. Orientação farmacêutica: profissional habilitado para esclarecer dúvidas sobre uso, armazenamento, cuidados e interações;
  5. Conformidade sanitária: nenhuma etapa fora do que a regulamentação permite.

CBD e THC medicinal no Brasil em 2026: o que diz a lei

Em 28 de janeiro de 2026, a Anvisa aprovou por unanimidade novas regras para a cannabis medicinal, em cumprimento a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, e as resoluções foram publicadas no Diário Oficial em 3 de fevereiro de 2026. A RDC 1.015/2026 atualiza o marco regulatório da RDC 327/2019 (de 9 de dezembro de 2019) para fabricação e importação de produtos de cannabis e, segundo o Conselho Federal de Farmácia, a substitui. As regras de dispensação em farmácias e drogarias entraram em vigor em 4 de maio de 2026.

  • os produtos de cannabis não são medicamentos registrados: têm autorização sanitária para uso medicinal, e a Anvisa informou que 49 produtos estavam regularizados em janeiro de 2026, com a expectativa de que avancem para estudos clínicos que indiquem base de eficácia;
  • a dispensação exige prescrição médica;
  • a atualização ampliou o público autorizado a usar produtos com THC acima de 0,2%, incluindo pacientes com doenças debilitantes graves, como fibromialgia e lúpus;
  • continuam proibidos o uso recreativo, os cosméticos, os produtos fumígenos e a venda da planta in natura ou de flores secas;
  • a divulgação é restrita a profissionais prescritores, e a publicidade ao público em geral é proibida, razão pela qual este guia é informativo;
  • a importação excepcional por pessoa física, com prescrição, não foi revogada, e a Anvisa abriu a revisão da RDC 660, que a regula.

Fontes: Anvisa, 3/2/2026; Anvisa, 28/1/2026; Conselho Federal de Farmácia, 9/3/2026; ICTQ; Conjur, 8/2/2026.

CBD manipulado: o que muda e o que ainda depende de norma

Muita gente pesquisa “CBD manipulado” em busca de atendimento individualizado, maior controle de qualidade e orientação técnica. A RDC 327/2019 não admitia a manipulação de produtos de cannabis em farmácias. A RDC 1.015/2026 abriu essa possibilidade: é permitida a manipulação de preparações magistrais contendo, como insumo farmacêutico ativo, exclusivamente o fitofármaco CBD, obtido da Cannabis sativa L., conforme regulamentação a ser editada pela Anvisa. A autorização não inclui a planta, os extratos completos nem o THC.

Segundo as fontes consultadas, entre elas o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo e a Anfarmag, a atividade depende da publicação dessa norma específica de boas práticas de manipulação, que a Anvisa informou que será objeto de uma nova resolução. Nas fontes consultadas até 5 de outubro de 2026, não localizamos a publicação dessa norma. As farmácias de manipulação já operam sob a RDC 67/2007 (Boas Práticas de Manipulação), que exige qualificação de fornecedores, controle de qualidade de insumos, rastreabilidade e supervisão farmacêutica.

O que isso significa para o paciente: a individualização de dose e forma farmacêutica que a manipulação permite está prevista, mas só pode ser feita conforme a norma específica. Ao procurar CBD manipulado, vale perguntar em qual norma a farmácia se apoia. Para saber como o atendimento da MaxPharma está hoje, fale com uma farmacêutica. Fontes: CRF-SP; Anfarmag.

Como escolher uma farmácia com segurança em Brasília

Se a busca é por CBD ou THC medicinal em Brasília para um familiar, algumas perguntas ajudam:

  • a empresa demonstra conformidade regulatória clara, com AFE e AE ativas e responsável técnico com registro no CRF? Os documentos da MaxPharma estão em Documentação e licenças;
  • há farmacêutico responsável acessível para esclarecer dúvidas e interações?
  • há transparência sobre processos, lote, laudo e documentação?
  • a comunicação é ética, sem promessas de cura e sem publicidade ao público, como a norma exige?
  • o foco está na segurança e não na venda? Conheça também o laboratório e o controle de qualidade da MaxPharma.

Cuidados

  • o uso de CBD e de produtos de cannabis exige prescrição médica e acompanhamento, e não substitui tratamentos estabelecidos;
  • informe ao médico e à farmacêutica todos os medicamentos e suplementos em uso, por causa das interações;
  • não interrompa nem troque medicamentos, como antiepilépticos, por conta própria;
  • gestantes, lactantes e crianças só devem usar por indicação médica;
  • desconfie de produtos sem laudo, sem lote e sem origem, e de promessas de cura.

Antes de qualquer decisão, converse com o profissional prescritor e esclareça as dúvidas sobre indicação, riscos, interações e monitoramento. Veja a página do ativo CBD (canabidiol), com a lista completa de estudos, e os demais ativos manipulados.

Leia também: Ashwagandha: o que é e o que dizem os estudos

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Estudos citados

  1. Revisão narrativa2016Biological Psychiatry

    An Introduction to the Endogenous Cannabinoid System

    Lu HC, Mackie K.

    Amostra: Revisão sobre o sistema endocanabinoide, com ênfase na plasticidade sináptica e na esquizofrenia

    O sistema endocanabinoide é um sistema neuromodulador amplamente distribuído, com papel no desenvolvimento do sistema nervoso, na plasticidade das sinapses e na resposta a agressões. Reúne os receptores canabinoides (o CB1 é o mais abundante), os endocanabinoides produzidos pelo corpo, como a anandamida e o 2-araquidonoilglicerol, e as enzimas que os produzem e degradam. Canais TRP e receptores PPAR também são acionados por alguns canabinoides.

  2. Revisão narrativa2008British Journal of Pharmacology

    The diverse CB1 and CB2 receptor pharmacology of three plant cannabinoids: delta9-tetrahydrocannabinol, cannabidiol and delta9-tetrahydrocannabivarin

    Pertwee RG.

    Amostra: Revisão da farmacologia de THC, CBD e THCV nos receptores canabinoides CB1 e CB2

    O THC, principal componente psicotrópico da cannabis, é agonista parcial dos receptores CB1 e CB2. O CBD mostrou potência inesperadamente alta como antagonista de agonistas desses receptores em células e tecidos testados, e o autor sugere que sua interação com o CB2 pode explicar a capacidade de inibir a migração de células imunes. O texto também menciona a interação desses compostos com alvos além do CB1 e do CB2.

  3. Revisão narrativa2017Pharmacology & Therapeutics

    Cannabidiol: State of the art and new challenges for therapeutic applications

    Pisanti S, Malfitano AM, Ciaglia E, et al.

    Amostra: Revisão das atividades farmacológicas do canabidiol

    A revisão descreve ações do CBD dependentes e independentes dos receptores canabinoides, com efeitos sobre imunomodulação, angiogênese e modulação neuronal e cardiovascular, e destaca o potencial terapêutico em doenças neurológicas e no câncer. O CBD é descrito como desprovido dos efeitos psicoativos do THC.

  4. Ensaio clínico randomizado2017New England Journal of Medicine

    Trial of Cannabidiol for Drug-Resistant Seizures in the Dravet Syndrome

    Devinsky O, Cross JH, Laux L, et al.

    Amostra: 120 crianças e jovens adultos com síndrome de Dravet e crises resistentes a medicamentos; solução oral de CBD (20 mg/kg/dia) ou placebo, junto com o tratamento antiepiléptico, por 14 semanas

    Estudo duplo-cego, financiado pela GW Pharmaceuticals. A mediana mensal de crises convulsivas caiu de 12,4 para 5,9 com CBD, contra 14,9 para 14,1 com placebo (diferença ajustada de −22,8 pontos percentuais; p = 0,01). A proporção com redução de pelo menos 50% (43% contra 27%) não atingiu significância (p = 0,08), e 5% ficaram sem crises, contra 0%. Diarreia, vômitos, fadiga, febre, sonolência e alteração de exames do fígado foram mais frequentes com CBD, e houve mais abandonos nesse grupo.

  5. Ensaio clínico randomizado2018New England Journal of Medicine

    Effect of Cannabidiol on Drop Seizures in the Lennox-Gastaut Syndrome

    Devinsky O, Patel AD, Cross JH, et al.

    Amostra: 225 pacientes de 2 a 55 anos com síndrome de Lennox-Gastaut; solução oral de CBD (20 ou 10 mg/kg/dia) ou placebo, por 14 semanas

    Estudo duplo-cego, financiado pela GW Pharmaceuticals. A redução mediana das crises de queda foi de 41,9% com 20 mg/kg, 37,2% com 10 mg/kg e 17,2% com placebo. Sonolência, perda de apetite e diarreia foram os eventos mais comuns, mais frequentes com a dose maior. Seis pacientes do grupo de 20 mg/kg e um do grupo de 10 mg/kg saíram do estudo por eventos adversos, e 9% dos que receberam CBD tiveram aumento das aminotransferases do fígado.

  6. Ensaio clínico randomizado2018The Lancet

    Cannabidiol in patients with seizures associated with Lennox-Gastaut syndrome (GWPCARE4): a randomised, double-blind, placebo-controlled phase 3 trial

    Thiele EA, Marsh ED, French JA, et al.

    Amostra: 171 pacientes de 2 a 55 anos com síndrome de Lennox-Gastaut resistente ao tratamento; CBD oral (20 mg/kg/dia) ou placebo por 14 semanas

    Estudo duplo-cego, financiado pela GW Pharmaceuticals. A redução mediana das crises de queda foi de 43,9% com CBD e 21,8% com placebo (diferença estimada de −17,21; IC 95%: −30,32 a −4,09; p = 0,0135). Eventos adversos ocorreram em 86% com CBD e 69% com placebo, em geral leves ou moderados, e 14% do grupo CBD saiu do estudo por eventos adversos, contra 1% do placebo.

  7. Ensaio clínico randomizado2021JAMA Neurology

    Add-on Cannabidiol Treatment for Drug-Resistant Seizures in Tuberous Sclerosis Complex: A Placebo-Controlled Randomized Clinical Trial

    Thiele EA, Bebin EM, Bhathal H, et al.

    Amostra: 224 pacientes de 1 a 65 anos com complexo da esclerose tuberosa e epilepsia resistente; CBD oral (25 ou 50 mg/kg/dia) ou placebo por 16 semanas

    Estudo duplo-cego, com participação de autores ligados à fabricante (GW Research e Greenwich Biosciences). A redução das crises foi de 48,6% (25 mg/kg) e 47,5% (50 mg/kg), contra 26,5% com placebo. Diarreia e sonolência foram mais frequentes com CBD, e 18,9% dos que receberam CBD tiveram aumento de transaminases, contra nenhum no placebo. A dose de 25 mg/kg teve melhor perfil de segurança.

  8. Metanálise2018Drugs

    Efficacy and Safety of Cannabidiol in Epilepsy: A Systematic Review and Meta-Analysis

    Lattanzi S, Brigo F, Trinka E, et al.

    Amostra: 4 ensaios randomizados com 550 pacientes com síndrome de Lennox-Gastaut ou de Dravet

    O CBD adjuvante reduziu a frequência de crises em cerca de 19,5 pontos percentuais a mais do que o placebo com 10 mg/kg e 19,9 com 20 mg/kg. A redução de pelo menos 50% ocorreu em 37,2% com 20 mg/kg e em 21,2% com placebo (RR 1,76). Eventos adversos ocorreram em 87,9% com CBD e 72,2% com placebo, e a interrupção por eventos adversos foi de 8,9% contra 1,8%. Sonolência, perda de apetite, diarreia e aumento das aminotransferases se associaram ao CBD.

  9. Revisão narrativa2015Neurotherapeutics

    Cannabidiol as a Potential Treatment for Anxiety Disorders

    Blessing EM, Steenkamp MM, Manzanares J, Marmar CR.

    Amostra: Revisão de evidências pré-clínicas, experimentais em humanos, clínicas e epidemiológicas sobre CBD e ansiedade

    A evidência pré-clínica sustenta o CBD, em dose aguda, para vários transtornos de ansiedade, mas poucos estudos avaliaram o uso crônico. As evidências em humanos apoiam um papel ansiolítico, porém limitadas à dose aguda e com poucos estudos em populações clínicas. Os autores concluem que há potencial considerável e que faltam estudos do uso crônico em populações relevantes.

  10. Ensaio clínico randomizado2011Neuropsychopharmacology

    Cannabidiol reduces the anxiety induced by simulated public speaking in treatment-naïve social phobia patients

    Bergamaschi MM, Queiroz RHC, Chagas MHN, et al.

    Amostra: 24 pacientes com transtorno de ansiedade social sem tratamento prévio (12 com CBD em dose única de 600 mg e 12 com placebo) e 12 voluntários saudáveis sem medicação; teste de fala em público simulada

    Estudo preliminar, duplo-cego, de pesquisadores da Universidade de São Paulo. O CBD reduziu de forma significativa a ansiedade, o prejuízo cognitivo e o desconforto durante a fala, e a resposta do grupo CBD ficou semelhante à dos voluntários saudáveis. O estudo usou dose única, em poucos participantes.

  11. Metanálise2019The Lancet Psychiatry

    Cannabinoids for the treatment of mental disorders and symptoms of mental disorders: a systematic review and meta-analysis

    Black N, Stockings E, Campbell G, et al.

    Amostra: 83 estudos, 40 deles ensaios randomizados (3.067 participantes), sobre canabinoides em depressão, ansiedade, TDAH, síndrome de Tourette, estresse pós-traumático e psicose

    A evidência de que canabinoides melhorem depressão, ansiedade, TDAH, Tourette, estresse pós-traumático ou psicose é escassa. O THC farmacêutico, com ou sem CBD, melhorou levemente a ansiedade em pessoas com outras doenças (evidência de qualidade muito baixa), piorou sintomas negativos de psicose em um estudo e aumentou os eventos adversos (OR 1,99) e os abandonos por eventos adversos (OR 2,78). Poucos ensaios avaliaram o CBD farmacêutico ou a cannabis medicinal. Os autores consideram a evidência insuficiente para orientar o uso dentro de um marco regulatório.

  12. Metanálise2018Cochrane Database of Systematic Reviews

    Cannabis-based medicines for chronic neuropathic pain in adults

    Mücke M, Phillips T, Radbruch L, Petzke F, Häuser W.

    Amostra: 16 ensaios randomizados com 1.750 adultos com dor neuropática crônica; a maioria com spray oromucoso de THC e CBD combinados

    Medicamentos à base de cannabis podem aumentar o número de pessoas com alívio da dor de 50% ou mais (21% contra 17%; evidência de baixa qualidade) e provavelmente aumentam o de alívio de 30% ou mais (39% contra 33%). Mais participantes abandonaram por eventos adversos (10% contra 5%), e eventos do sistema nervoso foram mais frequentes (61% contra 29%). Os autores concluem que os benefícios potenciais podem ser superados pelos danos. Os estudos testaram principalmente THC e CBD combinados, e não o CBD isolado.

  13. Metanálise2018Pain

    Cannabis and cannabinoids for the treatment of people with chronic noncancer pain conditions: a systematic review and meta-analysis of controlled and observational studies

    Stockings E, Campbell G, Hall WD, et al.

    Amostra: 104 estudos com 9.958 participantes, incluindo 47 ensaios randomizados e 57 estudos observacionais, em dor crônica não oncológica

    Nos ensaios randomizados, 29,0% dos que usaram canabinoides tiveram redução de 30% da dor, contra 25,9% com placebo (número necessário para tratar de 24). Para redução de 50%, não houve diferença significativa. A diferença na intensidade da dor equivale a cerca de 3 mm numa escala de 100 mm. Eventos adversos ocorreram em 81,2% contra 66,2%. Os autores consideram improvável que os canabinoides sejam medicamentos altamente eficazes para dor crônica não oncológica.

  14. Revisão narrativa2017Current Psychiatry Reports

    Cannabis, Cannabinoids, and Sleep: a Review of the Literature

    Babson KA, Sottile J, Morabito D.

    Amostra: Revisão da literatura sobre cannabis, canabinoides e distúrbios do sono

    Pesquisas preliminares sugerem que o CBD pode ter potencial terapêutico na insônia. O THC pode reduzir o tempo para dormir, mas pode prejudicar a qualidade do sono a longo prazo. O CBD pode ser promissor no transtorno comportamental do sono REM e na sonolência diurna excessiva. Os autores descrevem a pesquisa sobre cannabis e sono como incipiente, com resultados mistos.

  15. Revisão sistemática2020Brain Sciences

    Cannabinoids for People with ASD: A Systematic Review of Published and Ongoing Studies

    Fusar-Poli L, Cavone V, Tinacci S, et al.

    Amostra: 10 estudos publicados (8 artigos e 2 resumos) e 4 ensaios em andamento sobre canabinoides no transtorno do espectro autista

    Os achados foram promissores para comportamentos-problema, problemas de sono e hiperatividade, com poucos efeitos cardíacos e metabólicos. Os efeitos sobre os sintomas centrais do autismo são pouco conhecidos. Os autores pedem ensaios com amostras mais bem caracterizadas e desfechos bem definidos.

  16. Revisão narrativa2017Cannabis and Cannabinoid Research

    An Update on Safety and Side Effects of Cannabidiol: A Review of Clinical Data and Relevant Animal Studies

    Iffland K, Grotenhermen F.

    Amostra: Revisão de dados clínicos e de estudos em animais sobre segurança e efeitos colaterais do CBD

    O perfil de segurança favorável do CBD em humanos foi confirmado. Nos estudos de epilepsia e de transtornos psicóticos, os efeitos colaterais mais comuns foram cansaço, diarreia e mudanças de apetite ou de peso, e o perfil foi melhor do que o de outros medicamentos usados nessas condições. Os autores pedem mais pesquisas sobre os efeitos do CBD em enzimas do fígado, transportadores e interações com outros medicamentos, e observam que parâmetros como o efeito hormonal ainda não foram estudados.

  17. Metanálise2020Neuropsychopharmacology

    Adverse effects of cannabidiol: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials

    Chesney E, Oliver D, Green A, et al.

    Amostra: 12 ensaios duplo-cegos controlados por placebo, com 803 participantes, de duração mínima de 7 dias

    Em comparação ao placebo, o CBD se associou a mais abandonos (OR 2,61), eventos adversos graves (OR 2,30), eventos graves relacionados a exames de fígado alterados (OR 11,19), perda de apetite (OR 3,56), diarreia (OR 2,61), sonolência (OR 2,23) e sedação (OR 4,21). As associações com exames de fígado, sonolência, sedação e pneumonia se limitaram aos estudos de epilepsia infantil, em que pode ter havido interação com clobazam e valproato de sódio. Excluindo esses estudos, só a diarreia se associou ao CBD (OR 5,03). Os autores concluem que o CBD é bem tolerado, com poucos eventos graves, e que as interações com outros medicamentos devem ser monitoradas.

  18. Revisão narrativa2019Journal of Clinical Medicine

    Potential Adverse Drug Events and Drug-Drug Interactions with Medical and Consumer Cannabidiol (CBD) Use

    Brown JD, Winterstein AG.

    Amostra: Revisão das bulas de produtos com CBD aprovados nos Estados Unidos, com extração de dados sobre eventos adversos e interações

    Quase metade dos usuários de CBD teve eventos adversos, com relação dose-resposta. Os mais comuns foram elevação de transaminases, sedação, distúrbios do sono, infecção e anemia. Como o CBD atua em alvos ligados ao metabolismo (CYP3A4 e CYP2C19) e à excreção (glicoproteína P) de medicamentos, o potencial de interações com medicamentos comuns é alto. Os autores recomendam reduzir doses de substratos, monitorar eventos adversos e considerar terapias alternativas, sobretudo em pacientes complexos.

  19. Revisão sistemática2018Frontiers in Pharmacology

    A Systematic Review on the Pharmacokinetics of Cannabidiol in Humans

    Millar SA, Stone NL, Yates AS, O'Sullivan SE.

    Amostra: 24 artigos com parâmetros farmacocinéticos do CBD em humanos, entre 792 recuperados

    A meia-vida do CBD variou de 1,4 a 10,9 horas após spray oromucoso e de 2 a 5 dias após uso oral crônico. A biodisponibilidade foi de 31% com fumo, e nenhum estudo relatou a biodisponibilidade absoluta por outras vias em humanos. O pico de concentração aumentou com alimentação e com formulações lipídicas, e o tempo até o pico ficou entre 0 e 4 horas. Os autores destacam a escassez e a discrepância dos dados.

  20. Estudo observacional2017JAMA

    Labeling Accuracy of Cannabidiol Extracts Sold Online

    Bonn-Miller MO, Loflin MJE, Thomas BF, et al.

    Amostra: 84 produtos de CBD de 31 empresas, comprados na internet e analisados em laboratório

    Dos produtos testados, 26% continham menos CBD do que o informado no rótulo, o que poderia anular qualquer resposta clínica, e muitos continham mais. THC foi detectado em 18 dos 84 produtos. Os autores apontam a falta de regulação e a necessidade de que as agências garantam a exatidão dos rótulos.

Perguntas frequentes

CBD em Brasília: é permitido?

O uso medicinal de produtos de cannabis é permitido no Brasil, com prescrição médica e dispensação conforme a regulamentação da Anvisa (RDC 1.015/2026). As regras são federais e valem também no Distrito Federal.

O CBD tem efeito psicoativo?

O CBD não tem os efeitos psicoativos do THC. Já produtos sem controle de qualidade podem conter THC, que foi detectado em 18 de 84 produtos de CBD vendidos online em um estudo de 2017, por isso a origem e o laudo do insumo importam.

Qual a diferença entre CBD isolado e extrato de cannabis?

O CBD isolado é o canabidiol purificado, usado como insumo farmacêutico ativo com pureza mínima de 98%, segundo a norma. Extratos de cannabis contêm outros componentes da planta, como o THC em baixa concentração. A manipulação prevista pela RDC 1.015/2026 vale apenas para o CBD isolado.

O CBD funciona para ansiedade?

Um estudo pequeno da Universidade de São Paulo, com dose única em pessoas com ansiedade social, mostrou redução da ansiedade em um teste de fala. Já uma metanálise de 2019 considerou escassa a evidência para os transtornos de ansiedade em geral. A decisão de usar é do médico.

Posso importar CBD por conta própria?

A importação excepcional por pessoa física, com prescrição, não foi revogada pelo novo marco, e a Anvisa abriu a revisão da norma que a regula (RDC 660). Antes de importar, converse com o médico e consulte as regras vigentes no site da Anvisa.

Como saber se um CBD é de qualidade?

Procure rastreabilidade (lote e origem), laudo com a concentração de canabinoides, pureza compatível com a norma (no mínimo 98% para o CBD isolado usado em farmácias) e um farmacêutico responsável acessível. Um estudo de 2017 com 84 produtos vendidos online encontrou rótulos imprecisos e THC em 18 deles.

Ativos citados

Fórmulas com os ativos citados

Sugestões de formulação das páginas dos ativos citados neste conteúdo, com a referência de cada uma. As quantidades são de cada dose. A dose, a forma farmacêutica e as associações do seu caso são definidas por quem prescreve.

Com KSM-66® Ashwagandha

Estresse e sono

Quantidade em cada dose

  • KSM-66® Ashwagandha300 mg

Completa a fórmula: Cápsula vegetal, na quantidade necessária para cada dose.

Como usar

Tomar 1 cápsula 2 vezes ao dia.

Total por dia: 2 doses, ou seja, KSM-66® Ashwagandha 600 mg.

O fornecedor descreve de 600 a 675 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas.

Com Saffrin®

Compulsão por doces e gordura abdominal

Quantidade em cada dose

  • Saffrin®88,25 mg
  • Morosil®200 mg

Completa a fórmula: Cápsula vegetal, na quantidade necessária para cada dose.

Como usar

Tomar 1 dose pela manhã e 1 dose no final do dia.

Total por dia: 2 doses, ou seja, Saffrin® 176,5 mg; Morosil® 400 mg.

Veja mais combinações em Formulações por objetivo. Sugestões para avaliação do prescritor; fórmulas manipuladas são preparadas mediante prescrição.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição de profissional habilitado.