Ativos e Evidências

Melatonina: o que é, como funciona e o que dizem os estudos sobre liberação prolongada

Do relógio biológico à liberação prolongada: o que 14 estudos mostram sobre melatonina e sono.

Revisado pelas Farmacêuticas MaxPharma

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Mulher dormindo em quarto escuro com lua crescente na janela e luz dourada suave

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Em resumo

A melatonina é o hormônio que sinaliza a noite ao organismo. Uma metanálise de 19 ensaios com 1.683 pessoas mostrou redução da latência para dormir e aumento do tempo total de sono, e a liberação prolongada (time release), avaliada em ensaios com pessoas de 55 anos ou mais, melhorou a qualidade do sono sem rebote, com benefícios mantidos por 6 meses. Em adultos com insônia crônica sem outras doenças, os resultados das metanálises são divididos, e no jet lag a liberação lenta de 2 mg teve menos efeito. Não localizamos estudo clínico publicado com o Melotime™ em si.

A melatonina é o hormônio que informa ao organismo que é noite, e por isso virou o suplemento mais associado ao sono. O que os ensaios clínicos mostram, porém, é mais matizado do que a fama: em média, o efeito sobre o sono é modesto e varia com a idade, com a causa da insônia, com a dose, com o horário e com o tipo de formulação. Neste guia reunimos 14 estudos, entre metanálises, revisões e ensaios randomizados, para explicar o que a melatonina faz, o que muda na versão de liberação prolongada (time release) e onde a evidência ainda é fraca.

O que é a melatonina e como o corpo a produz

A melatonina é produzida sobretudo pela glândula pineal, na base do cérebro, em condições de baixa luminosidade. Ela está associada à sincronização do ritmo circadiano, o relógio biológico de cerca de 24 horas, e à modulação do ciclo sono-vigília. Em adultos mais velhos, a produção noturna pode diminuir.

Por isso a melatonina costuma ser descrita mais como um sinal de “hora de dormir” do que como um sedativo. Os estudos medem sobretudo quanto tempo a pessoa leva para dormir, quanto dorme e como avalia a qualidade do sono.

A melatonina funciona para dormir? O que mostram as metanálises

A resposta curta é: funciona um pouco, e não para todos os grupos. A tabela resume as principais revisões.

Revisão O que analisou Resultado
Ferracioli-Oda, 2013 19 ensaios, 1.683 pessoas com transtornos primários do sono Latência do sono 7,06 minutos menor, tempo total de sono 8,25 minutos maior e melhor qualidade do sono; efeito modesto
Cruz-Sanabria, 2024 26 ensaios duplo-cegos, 1.689 observações Redução gradual da latência e aumento do tempo de sono, com efeito que depende da dose e do horário
Choi, 2022 24 ensaios em insônia crônica Sem efeito significativo em adultos sem outras doenças; efeito em crianças e adolescentes
Chang, 2026 98 ensaios em dor crônica Melhor qualidade do sono, com evidência de certeza moderada e sem mais eventos adversos que o placebo
McCleery (Cochrane), 2020 5 ensaios com melatonina em demência, 222 pessoas Pouco ou nenhum efeito sobre o sono, com evidência de baixa certeza

Os resultados parecem contraditórios, mas há explicações. As revisões misturam doses, horários e populações diferentes, e os autores de uma delas mostram que o intervalo entre a administração e a hora de dormir pesa na resposta. Em um ensaio com 791 adultos, a latência do sono melhorou de forma significativa no grupo de 55 a 80 anos, mas não no grupo de 18 a 80 anos, que incluía pessoas mais jovens.

Um efeito “modesto” em média, como o de cerca de 7 minutos a menos para dormir, pode ser relevante para uns e irrelevante para outros. Por isso a indicação, o horário e a formulação devem ser definidos por um profissional, caso a caso.

Melatonina de liberação prolongada (time release): o que muda

A melatonina comum é absorvida e eliminada rapidamente. A formulação de liberação prolongada libera o hormônio aos poucos, com a proposta de manter níveis mais altos por mais tempo e imitar o padrão da noite, o que, em teoria, favorece a manutenção do sono e não só o início.

O que mostra a farmacocinética

Em um estudo de fase I com 14 voluntários saudáveis, uma formulação de liberação prolongada (Oniria®) teve duas fases: até 2 horas após a dose, as concentrações foram equivalentes às do comprimido de liberação imediata, e entre 2 e 11 horas ficaram significativamente mais altas, cerca de três vezes mais entre 4 e 6 horas. O estudo mediu concentração no sangue, e não sono, e teve autores ligados à empresa fabricante.

O que mostram os ensaios clínicos

Estudo Participantes Principais resultados
Lemoine, 2007 170 pessoas com 55 anos ou mais e insônia primária, 3 semanas Melhor qualidade do sono e alerta pela manhã que o placebo, sem rebote nem abstinência
Wade, 2011 791 adultos de 18 a 80 anos, com acompanhamento de 6 meses Latência do sono menor no grupo de 55 a 80 anos (−15,4 contra −5,5 minutos), com benefícios mantidos por 6 meses, sem tolerância, abstinência ou insônia de rebote
Lemoine, 2012 Subgrupos que usavam anti-hipertensivos, em 4 ensaios Melhor sono, sem diferença na pressão arterial diurna; análise post hoc
Wade, 2014 80 pessoas com Alzheimer leve a moderado, 24 semanas Melhor desempenho em atividades diárias e no Mini-Exame do Estado Mental, sem diferença na escala ADAS-Cog
Lyseng-Williamson, 2012 Revisão da formulação aprovada na União Europeia para maiores de 55 anos Sem efeito sobre funções psicomotoras, memória e habilidade de dirigir em relação ao placebo, e sem dependência, tolerância ou rebote

Um ponto central: quase todos esses ensaios usaram o mesmo produto, o Circadin® 2 mg, e envolveram pessoas com 55 anos ou mais, e parte deles teve autores ligados à empresa que o fabrica. Os resultados não se estendem automaticamente a outras formulações de liberação prolongada, como o Melotime™, nem a adultos mais jovens.

Liberação prolongada é sempre melhor?

Não. Não localizamos ensaio que compare diretamente a melatonina de liberação prolongada com a de liberação imediata em desfechos de sono. E, no jet lag, a revisão Cochrane concluiu que a formulação de liberação lenta teve eficácia relativamente menor, o que sugere que, para ajustar o relógio, um pico mais curto e mais alto funciona melhor. A escolha depende do objetivo do prescritor.

Melatonina e jet lag

Uma revisão Cochrane de 2002, com 10 ensaios em passageiros, tripulantes e militares, é a evidência mais citada. Nove dos dez ensaios encontraram que a melatonina tomada perto da hora de dormir no destino diminuiu o jet lag em voos que cruzam cinco ou mais fusos horários. Doses diárias diferentes tiveram efeito semelhante, e doses mais altas não foram mais eficazes.

  • o benefício tende a ser maior quanto mais fusos horários são cruzados e menor nos voos para oeste;
  • tomada no horário errado, a melatonina pode causar sonolência e atrasar a adaptação ao horário local;
  • relatos de caso sugerem cautela em pessoas com epilepsia e em quem usa varfarina.

Outras áreas estudadas

A melatonina também foi avaliada fora do sono, com resultados preliminares:

  • Síndrome do intestino irritável: em 7 ensaios com 391 adultos, reduziu os sintomas moderados a graves e melhorou a frequência de dor, sem diferença na qualidade de vida nem no sono global (Mahdi, 2026);
  • Dor crônica: melhorou a qualidade do sono em 98 ensaios (Chang, 2026);
  • Doença de Alzheimer: um ensaio com a liberação prolongada mostrou benefícios em cognição e atividades diárias (Wade, 2014), mas a revisão Cochrane de 2020 não encontrou efeito sobre o sono.

Esses resultados não permitem concluir que a melatonina trate essas condições.

Segurança, interações e cuidados

  • nos ensaios com liberação prolongada, os eventos adversos foram poucos e leves, sem diferença significativa do placebo, sem insônia de rebote e sem abstinência;
  • a melatonina é metabolizada principalmente pela enzima hepática CYP1A2, e inibidores potentes dessa enzima podem alterar seu metabolismo (Papagiannidou, 2014);
  • a orientação da Anvisa para suplementos de melatonina exclui gestantes, lactantes e crianças, e pessoas em atividades que exigem atenção constante;
  • quem tem epilepsia ou usa anticoagulantes, como a varfarina, deve falar antes com o prescritor;
  • insônia que persiste deve ser avaliada por um profissional de saúde, porque pode ter causas que a melatonina não trata.

Melatonina no Brasil: suplemento ou manipulado?

Em outubro de 2021, a Anvisa autorizou a venda de melatonina como suplemento alimentar, para pessoas com 19 anos ou mais e com limite de 0,21 mg por dia. Antes disso, a melatonina só era vendida em farmácias de manipulação, com prescrição.

Na farmácia de manipulação, a fórmula é preparada sob prescrição, e quem define a forma, a dose e o horário é o prescritor, com base na avaliação de cada pessoa. O produto não é vendido como suplemento pronto, e a MaxPharma não tem preço nem carrinho para manipulados.

Melatonina na MaxPharma

O Melotime™ é um insumo de melatonina de liberação prolongada, exclusividade da Caldic, segundo o fornecedor. Na página dele você encontra o que o fornecedor descreve, os 10 estudos que consultamos e as precauções, e a informação de que não localizamos estudo clínico publicado com o próprio Melotime™.

A MaxPharma também vai publicar a página da melatonina em outras formas de liberação, e este artigo será atualizado com o link. Para quem busca ativos estudados em sono e equilíbrio, veja também KSM-66® Ashwagandha, Magnésio Treonato, Magnésio Quelato e Saffrin®, ou todos os ativos manipulados. A combinação de ativos e as doses são sempre definidas pelo prescritor.

O que ainda falta saber

Faltam ensaios que comparem diretamente a liberação prolongada com a liberação imediata, estudos com a liberação prolongada em adultos mais jovens, dados de longo prazo e estudos clínicos publicados com o Melotime™. Os resultados em adultos com insônia crônica sem outras doenças continuam divididos entre as revisões.

Leia também: Ashwagandha: o que dizem os estudos · Tipos de magnésio: diferenças

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Estudos citados

  1. Metanálise2013PLoS One

    Meta-analysis: melatonin for the treatment of primary sleep disorders

    Ferracioli-Oda E, Qawasmi A, Bloch MH.

    Amostra: 19 ensaios randomizados controlados por placebo, com 1.683 adultos e crianças com transtornos primários do sono

    A melatonina reduziu a latência do sono em 7,06 minutos (IC 95%: 4,37 a 9,75), aumentou o tempo total de sono em 8,25 minutos (IC 95%: 1,74 a 14,75) e melhorou a qualidade geral do sono (diferença média padronizada de 0,22). Ensaios mais longos e com doses maiores tiveram efeitos maiores sobre a latência e o tempo de sono. Os autores descrevem o efeito como modesto e que não pareceu se dissipar com o uso contínuo.

  2. Metanálise2024Journal of Pineal Research

    Optimizing the Time and Dose of Melatonin as a Sleep-Promoting Drug: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials and Dose-Response Meta-Analysis

    Cruz-Sanabria F, Bruno S, Crippa A, et al.

    Amostra: 26 ensaios randomizados duplo-cegos publicados entre 1987 e 2020, com 1.689 observações, em pessoas com insônia e voluntários saudáveis

    A melatonina reduziu gradualmente a latência para dormir e aumentou o tempo total de sono, com efeito que variou conforme a dose. A presença de insônia e o intervalo entre a administração e a hora de dormir foram preditores da latência, e os autores sugerem que administrar com mais antecedência pode otimizar o efeito. A revisão avaliou melatonina em geral, e não o Melotime™.

  3. Metanálise2022Sleep Medicine Reviews

    Efficacy of melatonin for chronic insomnia: Systematic reviews and meta-analyses

    Choi K, Lee YJ, Park S, Je NK, Suh HS.

    Amostra: 24 ensaios randomizados em insônia crônica, todos contra placebo, com análises por faixa etária

    Em adultos com insônia não associada a outras doenças, a melatonina não foi significativamente eficaz para latência do sono, tempo total de sono e eficiência do sono. Na insônia associada a outras condições, melhorou a latência em todas as idades, mas havia só um estudo em adultos. Em crianças e adolescentes, houve efeito. Os autores concluem que a melatonina não pareceu eficaz em adultos e pedem estudos por faixa etária.

  4. Metanálise2026Sleep Medicine Reviews

    Comparative effectiveness and safety of pharmacological interventions for sleep outcomes in chronic non-cancer pain: a systematic review and network meta-analysis

    Chang JR, Zhang Y, Zhang Y, et al.

    Amostra: 98 ensaios randomizados com 28.920 participantes com dor crônica não oncológica

    Com evidência de certeza moderada, a melatonina melhorou a qualidade do sono em relação ao placebo (diferença média padronizada de −0,60; IC 95%: de −0,98 a −0,22) e não se associou a maior risco de eventos adversos, ao contrário de vários outros fármacos. Os autores consideram o resultado promissor, mas pedem estudos específicos e apontam alta proporção de ensaios com risco de viés e predomínio de desfechos subjetivos.

  5. Revisão sistemática2020Cochrane Database of Systematic Reviews

    Pharmacotherapies for sleep disturbances in dementia

    McCleery J, Sharpley AL.

    Amostra: 9 ensaios randomizados em demência, 5 deles com melatonina (222 participantes), a maioria com doença de Alzheimer moderada a grave

    Com evidência de baixa certeza, a melatonina, mesmo em doses altas, teve pouco ou nenhum efeito sobre os principais desfechos de sono em pessoas com Alzheimer ao longo de 8 a 10 semanas, e não houve efeitos adversos graves. Os autores não encontraram evidência de benefício da melatonina nessa população.

  6. Revisão sistemática2002Cochrane Database of Systematic Reviews

    Melatonin for the prevention and treatment of jet lag

    Herxheimer A, Petrie KJ.

    Amostra: 10 ensaios randomizados em passageiros, tripulantes e militares, comparando melatonina oral com placebo ou outro medicamento

    Nove dos dez ensaios encontraram que a melatonina tomada perto da hora de dormir no destino diminuiu o jet lag em voos que cruzam cinco ou mais fusos horários. Doses diárias diferentes tiveram efeito semelhante, e doses mais altas não foram mais eficazes. A formulação de liberação lenta de 2 mg foi relativamente ineficaz, o que sugere que um pico curto e mais alto funciona melhor. O benefício tende a ser maior quanto mais fusos e menor nos voos para oeste. Tomada no horário errado, pode causar sonolência e atrasar a adaptação, e relatos de caso sugerem cautela em pessoas com epilepsia e em quem usa varfarina. É uma revisão de 2002.

  7. Ensaio clínico randomizado2022Drugs in R&D

    Bioavailability of Oniria, a Melatonin Prolonged-Release Formulation, Versus Immediate-Release Melatonin in Healthy Volunteers

    Román Martínez M, García Aguilar E, Martin Vílchez S, et al.

    Amostra: 14 voluntários saudáveis, em estudo cruzado, aberto, de fase I

    O perfil da formulação de liberação prolongada teve duas fases: até 2 horas, equivalente ao comprimido de liberação imediata, e de 2 a 11 horas, com concentrações significativamente maiores, cerca de três vezes mais entre 4 e 6 horas. A formulação manteve concentrações acima do pico natural de melatonina por até 2,5 horas a mais, o que sugere possível efeito sobre a manutenção do sono. O estudo mediu concentração no sangue, e não sono, usou outro produto (Oniria®) e teve autores ligados à empresa fabricante.

  8. Ensaio clínico randomizado2007Journal of Sleep Research

    Prolonged-release melatonin improves sleep quality and morning alertness in insomnia patients aged 55 years and older and has no withdrawal effects

    Lemoine P, Nir T, Laudon M, Zisapel N.

    Amostra: 170 pacientes ambulatoriais com insônia primária e 55 anos ou mais, tratados por 3 semanas com melatonina de liberação prolongada ou placebo

    A melatonina de liberação prolongada melhorou a qualidade do sono (−22,5 contra −16,5 mm; p = 0,047) e o estado de alerta pela manhã (−15,7 contra −6,8 mm; p = 0,002) em relação ao placebo. Não houve insônia de rebote nem sintomas de abstinência após a suspensão, e os eventos adversos foram poucos e leves. O estudo usou o Circadin® 2 mg, e não o Melotime™.

  9. Ensaio clínico randomizado2011Current Medical Research and Opinion

    Prolonged release melatonin in the treatment of primary insomnia: evaluation of the age cut-off for short- and long-term response

    Wade AG, Crawford G, Ford I, et al.

    Amostra: 930 adultos de 18 a 80 anos com insônia primária; 791 entraram na fase ativa (melatonina de liberação prolongada ou placebo) e 555 completaram 6 meses

    Em 3 semanas, a latência do sono (diário) foi menor com a melatonina de liberação prolongada do que com o placebo no grupo de 55 a 80 anos (−15,4 contra −5,5 minutos), mas não no grupo de 18 a 80 anos. Outras medidas, como o índice de qualidade do sono (PSQI) e a qualidade de vida (WHO-5), melhoraram. Os efeitos se mantiveram por 6 meses, sem tolerância, abstinência ou insônia de rebote, e os eventos adversos foram leves e sem diferença significativa do placebo. O produto estudado foi o Circadin® 2 mg, outra formulação de liberação prolongada, e não o Melotime™.

  10. Ensaio clínico2012Integrated Blood Pressure Control

    Efficacy and safety of prolonged-release melatonin for insomnia in middle-aged and elderly patients with hypertension: a combined analysis of controlled clinical trials

    Lemoine P, Wade AG, Katz A, et al.

    Amostra: Análise post hoc de subgrupos tratados com anti-hipertensivos em quatro ensaios randomizados (3 semanas: 195 com melatonina e 197 com placebo; 28 semanas: 157 e 40)

    A melatonina de liberação prolongada melhorou a qualidade do sono e o comportamento ao despertar em relação ao placebo (p < 0,0001 e p < 0,0008) e também a latência do sono (p = 0,02). Não houve diferença nos sinais vitais, inclusive na pressão arterial diurna, e a taxa de eventos adversos por 100 pacientes-semana foi menor com a melatonina (3,66) do que com o placebo (8,53). É uma análise post hoc de subgrupos, com outra formulação (Circadin®).

  11. Ensaio clínico randomizado2014Clinical Interventions in Aging

    Add-on prolonged-release melatonin for cognitive function and sleep in mild to moderate Alzheimer's disease: a 6-month, randomized, placebo-controlled, multicenter trial

    Wade AG, Farmer M, Harari G, et al.

    Amostra: 80 pacientes com doença de Alzheimer leve a moderada, em tratamento padrão, que receberam melatonina de liberação prolongada ou placebo por 24 semanas

    O grupo da melatonina teve melhor desempenho em atividades instrumentais da vida diária (p = 0,004) e no Mini-Exame do Estado Mental (p = 0,044), além de melhor eficiência do sono pelo PSQI, mas a pontuação média na escala ADAS-Cog não diferiu do placebo. A tolerabilidade foi semelhante à do placebo. O estudo foi pequeno e usou outra formulação (Circadin®), e a revisão Cochrane de 2020 não encontrou efeito da melatonina sobre o sono em demência.

  12. Revisão narrativa2012Drugs & Aging

    Melatonin prolonged release: in the treatment of insomnia in patients aged ≥55 years

    Lyseng-Williamson KA.

    Amostra: Revisão sobre a melatonina de liberação prolongada (Circadin® 2 mg), aprovada na União Europeia para insônia primária em maiores de 55 anos, por até 13 semanas

    A revisão descreve melhora, em relação ao placebo, da qualidade e da latência do sono, do alerta matinal e da qualidade de vida em ensaios de 3 semanas e de 6 meses, com tolerabilidade semelhante à do placebo e sem dependência, tolerância, insônia de rebote ou sintomas de abstinência. Em idosos, a formulação não teve efeito sobre funções psicomotoras, memória e habilidade de dirigir em relação ao placebo. Refere-se ao Circadin®, e não ao Melotime™.

  13. Metanálise2026Journal of Gastroenterology and Hepatology

    Melatonin Supplementation in the Management of Irritable Bowel Syndrome: An Updated Systematic Review and Meta-Analysis

    Mahdi GA, Abotaiban N, Gadelmawla AF, et al.

    Amostra: 7 ensaios randomizados duplo-cegos com 391 adultos com síndrome do intestino irritável; 4 entraram na análise quantitativa

    A melatonina reduziu os sintomas moderados a graves em relação ao placebo (RR 0,52; IC 95%: 0,39 a 0,71) e melhorou a frequência de dor e a frequência de evacuação. Não houve diferença significativa na qualidade de vida nem na qualidade global do sono. Os efeitos adversos foram leves e pouco frequentes, e os autores pedem ensaios maiores e mais longos.

  14. Estudo in vitro2014Physiology & Behavior

    Potential drug interactions with melatonin

    Papagiannidou E, Skene DJ, Ioannides C.

    Amostra: Preparações de fígado humano (e de rato) incubadas com melatonina e diferentes medicamentos

    A melatonina é metabolizada principalmente pela enzima hepática CYP1A2. Entre os medicamentos testados, só o inibidor potente da CYP1A2 5-metoxipsoraleno prejudicou o metabolismo da melatonina em concentrações relevantes, e o diazepam, o tamoxifeno e o paracetamol não o fizeram. É um estudo de laboratório, e os autores indicam que o rato não é um bom substituto do humano nesse tipo de teste.

Perguntas frequentes

A melatonina é um remédio para dormir?

Não no sentido clássico. É um hormônio que sinaliza a noite ao organismo e atua no relógio biológico. Em metanálises, o efeito sobre o sono foi modesto, com cerca de 7 minutos a menos para dormir e 8 minutos a mais de sono, em média, e variou conforme idade, dose e horário. Insônia que persiste exige avaliação médica.

O que é melatonina de liberação prolongada (time release)?

É uma formulação que libera a melatonina aos poucos, para manter níveis mais altos por mais tempo do que a melatonina comum. Em estudo com voluntários saudáveis, uma formulação desse tipo manteve concentrações maiores de 2 a 11 horas após a dose. Os ensaios clínicos com liberação prolongada usaram sobretudo o Circadin® 2 mg em pessoas com 55 anos ou mais, e não localizamos ensaio que compare diretamente os dois tipos.

A melatonina funciona para jet lag?

Uma revisão Cochrane de 10 ensaios, de 2002, indicou que sim, em voos que cruzam cinco ou mais fusos horários, quando tomada perto da hora de dormir no destino. A formulação de liberação lenta teve eficácia relativamente menor nessa revisão. Em pessoas com epilepsia ou que usam varfarina, há relatos que pedem cautela, e o prescritor deve ser consultado.

Qual é a diferença entre melatonina de suplemento e melatonina manipulada?

Desde 2021, a melatonina vendida como suplemento alimentar segue os limites da Anvisa: pessoas com 19 anos ou mais e até 0,21 mg por dia. Antes disso, a melatonina só era vendida em farmácias de manipulação, com prescrição. Na farmácia de manipulação, a fórmula é preparada sob prescrição, e o prescritor define a forma, a dose e o horário para cada pessoa.

Quem deve ter cautela com a melatonina?

Gestantes, lactantes, crianças, pessoas em atividades que exigem atenção constante, quem tem epilepsia e quem usa outros medicamentos, principalmente anticoagulantes como a varfarina e fármacos que alteram a enzima CYP1A2, devem falar antes com o prescritor. A orientação da Anvisa para suplementos exclui gestantes, lactantes e crianças. Não comece nem interrompa tratamentos por conta própria.

Onde manipular melatonina em Brasília e precisa de receita?

A MaxPharma, farmácia de manipulação na Asa Sul, em Brasília, prepara fórmulas sob prescrição. Envie sua receita pelo WhatsApp para a equipe farmacêutica avaliar e fazer o orçamento. Fórmulas manipuladas são preparadas mediante prescrição.

Ativos citados

Fórmulas com os ativos citados

Sugestões de formulação das páginas dos ativos citados neste conteúdo, com a referência de cada uma. As quantidades são de cada dose. A dose, a forma farmacêutica e as associações do seu caso são definidas por quem prescreve.

Com Melotime™

Sono

Quantidade em cada dose

  • Melotime™2 mg

Completa a fórmula: Cápsula vegetal, na quantidade necessária para cada dose.

Como usar

Tomar 1 dose de 1 a 2 horas antes de deitar, conforme a prescrição.

Total por dia: 1 dose, com as quantidades acima.

Referência: 2 mg de melatonina de liberação prolongada, 2 horas antes de deitar, nos ensaios de Lemoine (2007) e Wade (2010).

Com KSM-66® Ashwagandha

Estresse e sono

Quantidade em cada dose

  • KSM-66® Ashwagandha300 mg

Completa a fórmula: Cápsula vegetal, na quantidade necessária para cada dose.

Como usar

Tomar 1 cápsula 2 vezes ao dia.

Total por dia: 2 doses, ou seja, KSM-66® Ashwagandha 600 mg.

O fornecedor descreve de 600 a 675 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas.

Com Magnésio Treonato

Magnésio treonato para memória

Quantidade em cada dose

  • Treonato de magnésio1 g

Completa a fórmula: Cápsula vegetal, na quantidade necessária para cada dose.

Como usar

Tomar 1 dose 2 vezes ao dia, conforme a prescrição.

Total por dia: 2 doses, ou seja, Treonato de magnésio 2 g.

Referência: 2 g por dia de treonato de magnésio (cerca de 145 mg de magnésio elementar), faixa usada nos ensaios em adultos (Zhang, 2022; Mastrofini, 2026).

Com Magnésio Quelato

Magnésio quelato

Quantidade em cada dose

  • Magnésio quelatoequivalente a 300 mg de magnésio elementar

Completa a fórmula: Cápsula vegetal, na quantidade necessária para cada dose.

Como usar

Tomar a dose diária conforme a prescrição, de preferência à noite.

Total por dia: 1 dose, com as quantidades acima.

Referência: 300 mg de magnésio elementar por dia na forma de quelato de aminoácido no estudo de absorção de Walker (2003). A quantidade de composto depende do teor de magnésio do lote.

Veja mais combinações em Formulações por objetivo. Sugestões para avaliação do prescritor; fórmulas manipuladas são preparadas mediante prescrição.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição de profissional habilitado.